Relacionamentos afetivos na vida neurodivergente
Tem gente que acha que amar é simples. Que basta gostar, estar junto e pronto: tudo flui.
Mas quando você é neurodivergente, essa equação vira um labirinto. A gente sente demais… e demonstra de menos (ou do jeito "errado", segundo os outros). 💥
Eu, por exemplo, não entendia os sinais. Qualquer migalha de atenção virava afeto, e qualquer afeto virava vínculo. E lá estava eu: apaixonada, dedicada, confiando — por inteira. E geralmente quebrando a cara, também por inteira. 🫠
Criei laços onde não havia nós.
Interpretei olhares, silêncios e gestos como sentimentos. Me apeguei a amizades que nunca existiram de verdade. Me entreguei em relacionamentos onde eu era a única presente.
Mas o mais confuso foi viver no casamento — sendo vista como uma fortaleza. Quando eu precisava de colo, diziam que era mimimi. Quando chorava, me mandavam tirar isso de letra
. Como se eu fosse uma máquina programada pra dar conta de tudo.
Uma espécie de Shena robótica: guerreira, forte, imbatível… e sem sentimentos. 🛡️🤖
Talvez eu tenha contribuído pra essa imagem, tentando parecer perfeita com meus maskings. Mas perfeitos eles nunca foram. Só eficientes o bastante pra me afastarem das pessoas… e de mim mesma.
A verdade é: amar sem manual é arriscado. É como andar descalça no escuro: às vezes você pisa numa flor 🌸, às vezes num caco de vidro 🩸. E no meu caso, foi muito mais caco do que flor.
Mas sigo. Um pouco mais seletiva, mais cética… e muito mais consciente. Entendi que antes de buscar amor, preciso cultivar o meu. 💗
Não é egoísmo. É sobrevivência.
E se você também ama sem manual, respira. ✨ Deus te entende, mesmo quando ninguém mais entende.
“Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito.”
– Colossenses 3:14


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