🧠 quando o mundo exige mais do que consigo dar
Desde cedo me disseram que “trabalhar dignifica o ser humano”. Mas poucas vezes me perguntaram como eu me sentia ao tentar me encaixar nesse mundo funcional que nunca me reconheceu por inteiro.
Eu trabalhei pouco. E quase sempre me sentia inadequada. Não porque eu não quisesse, mas porque não firmava. Porque o social me travava. Porque o processo de aprendizado parecia tortura: lento, estranho, diferente do que todo mundo conseguia de primeira.
Mas eu não dizia isso pra ninguém. Morria de vergonha. Me sentia burra. Fingida. E cansada.
Então eu desistia.
Desistia dos cursos, dos empregos, dos grupos. E me vestia de “preguiçosa”, porque era mais fácil as pessoas acreditarem nisso do que eu tentar explicar algo que nem eu entendia.
Até hoje isso ainda dói. Eu tenho pavor de compromissos formais. Sério. Me dá calafrio só de pensar em bater ponto, seguir protocolo, sorrir forçado, lidar com gente que não respeita espaço e fala alto no café.
Mas eu tô tentando. Só que do meu jeito. No meu tempo. Do meu modo acelerado e quieto. Com meu cérebro que nunca para, mesmo quando o corpo trava.
Tô tentando transformar esse turbilhão de pensamento em algo que faça sentido: blog, post, livro... conteúdos que falam de mim, mas também por muitos que, como eu, foram chamados de incapazes, preguiçosos, lentos ou “estranhos”.
E quem sabe... quem sabe um dia eu consiga sobreviver disso. Quem sabe eu transforme meu transtorno em ponte. Minha dor em estrada. Minha bagunça em propósito.
Porque ser funcional cansa. Mas ser fiel a quem eu sou me dá paz.
Nem todo mundo nasceu pra seguir script. Tem gente que veio pra escrever o próprio. E se Deus me der criatividade, coragem e sustento, que esse seja meu caminho.
Não rendo como esperam. Mas floresço como posso.
“Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.”
– Mateus 11:28


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