🌻 TEMA 2 - Sobrecarga Sensorial: Quando o mundo é alto demais 😖
“Parece que tem uma agulha furando meus tímpanos.”
Foi com essa frase forte que eu descrevi o que sinto ao ouvir certos sons — como a microfonia de um microfone, por exemplo. E isso é só um entre tantos estímulos do dia a dia que, pra mim, são dolorosos.
A sobrecarga sensorial é real.
Não é exagero. Não é frescura.
É como se o mundo, em certos momentos, ficasse insuportavelmente alto, vibrante, pesado, pulsante demais.
Enquanto algumas pessoas conseguem conversar com a TV ligada e o celular tocando, eu escuto tudo ao mesmo tempo. Cada som compete por atenção e parece invadir meu cérebro sem pedir licença. Sons agudos me fazem sentir como se algo estivesse me perfurando por dentro. Já os sons muito graves vibram pelo corpo e me dão ânsia, tontura, vontade de vomitar. 🤢
As luzes piscando, coloridas ou muito fortes, me incomodam profundamente.
Gosto de cores — mas com equilíbrio. Gosto de tons escuros ou pastéis. O neon, o saturado, o brilho exagerado… me deixam com dor de cabeça, me tiram o foco.
Os cheiros também me afetam.
Aromas doces demais me causam náusea, dor de cabeça e até tontura. Por outro lado, cheiros cítricos, de frescor, me acalmam. É como se trouxessem ordem pro caos sensorial. Eu uso aromaterapia de forma intuitiva, e até uma pulseira difusora virou minha aliada.
E o toque?
Evito. Tolero. Mas não gosto.
Toques suaves demais me causam angústia. Toques inesperados, especialmente em multidões, me deixam desconfortável. E o pior: o suor das pessoas. Chegar perto de alguém suado me dá pavor. Até a água do chuveiro, quando bate nas minhas costas, pode causar cócegas que me fazem fugir, até o corpo acostumar.
Durante muito tempo, eu não entendia.
Não conseguia explicar o motivo do incômodo. Só sabia que queria sair de perto, fugir, me esconder.
Crises? Sim. Muitas!!!
Principalmente causadas pelos sons. E, mesmo quando eu conseguia evitar um meltdown, o shutdown sempre vinha depois — o colapso interno, o cansaço extremo, o silêncio forçado do corpo tentando se recompor.
Hoje eu tenho estratégias.
Saio de perto quando posso.
Uso abafadores de som, escuto músicas suaves (geralmente louvores), levo um fidget, busco o conforto que consigo carregar comigo.
Recentemente, ganhei do meu marido uma aliança que gira — isso me ajuda a focar, a me acalmar, a redirecionar minha atenção nos momentos difíceis.
Mas nem sempre eu estou preparada.
Às vezes, tudo que eu quero é silêncio. E isso é quase impossível dentro da rotina de casa, do dia a dia. Ainda mais sendo mulher, mãe, cuidadora, autista.








