Quando o Mundo Precisa Ser do Jeito Certo
GPTuda Explica:
Rigidez cognitiva é uma característica comum em pessoas neurodivergentes, especialmente no espectro autista, e se refere à dificuldade em lidar com mudanças, imprevistos ou diferentes formas de executar uma mesma tarefa. A mente busca previsibilidade e controle, e qualquer desvio pode gerar ansiedade, frustração ou até crises. Não é “birra” ou “frescura”, mas uma forma específica de funcionamento cerebral.
Segundo a DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), isso faz parte dos critérios para o Transtorno do Espectro Autista, associado a padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Fonte: [American Psychiatric Association, DSM-5].
Dea Sente:
Sempre ouvi que eu era “teimosa”. Desde bebê, minha mãe dizia que era difícil mudar minha opinião. Eu queria o mesmo copo, o mesmo prato, os mesmos talheres. Sair do lugar que eu gostava de sentar? Já era um incômodo.
Não lembro de grandes explosões quando era pequena... mas o desconforto sempre esteve ali. Fui aprendendo a “aceitar”, mas por dentro, doía.
Barulho não me trava tanto. Mas se mudarem uma programação, um lugar, uma rotina — aí sim, meu mundo balança. Gosto de traçar caminhos novos às vezes, mas se chego e algo está diferente do que imaginei... o impacto é gigante.
Preciso saber como as coisas vão ser. Preciso prever. Preciso entender. E quando não consigo? Vem uma raiva misturada com impotência. Perco o controle até de mim mesma.
Nas relações próximas, isso é ainda mais forte. Exijo consistência, coerência... Quando alguém muda de ideia, me soa como instabilidade. Insegurança. Como confiar, se a qualquer momento tudo pode mudar de novo?
Quando a situação passa do meu limite, vira crise. Nada ajuda. Nem palavra boa, nem abraço. Só quero sair dali, fugir até de mim.
Quando é mais leve, eu tento mudar o foco: uma saída, uma distração. Algo que me tire de dentro da minha própria rigidez.
Já senti vergonha. Achei que eu é que era o problema. Que precisava “relaxar”, “ser mais flexível”. Mas quanto mais tentava, mais me perdia.
Depois que veio o diagnóstico, tudo fez sentido. Eu não era ruim, intolerante, intransigente. Eu só era eu. E não sabia como lidar com esse “eu”.
Hoje, continuo sentindo — mas agora entendo.
Tento lembrar que não é o “como”, mas o “porquê”.
Que não é preciso ser tudo do meu jeito pra dar certo.
E que tá tudo bem se não for como eu imaginei.
O importante é que seja verdadeiro. E possível.
Aos poucos aprendo que nem tudo precisa encaixar perfeitamente pra funcionar.


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