5/26/2025

🌻 TEMA 2 - Sobrecarga Sensorial: Quando o mundo é alto demais 😖


“Parece que tem uma agulha furando meus tímpanos.”

Foi com essa frase forte que eu descrevi o que sinto ao ouvir certos sons — como a microfonia de um microfone, por exemplo. E isso é só um entre tantos estímulos do dia a dia que, pra mim, são dolorosos. 

A sobrecarga sensorial é real. 

Não é exagero. Não é frescura. 

É como se o mundo, em certos momentos, ficasse insuportavelmente alto, vibrante, pesado, pulsante demais.

Enquanto algumas pessoas conseguem conversar com a TV ligada e o celular tocando, eu escuto tudo ao mesmo tempo. Cada som compete por atenção e parece invadir meu cérebro sem pedir licença. Sons agudos me fazem sentir como se algo estivesse me perfurando por dentro. Já os sons muito graves vibram pelo corpo e me dão ânsia, tontura, vontade de vomitar. 🤢

As luzes piscando, coloridas ou muito fortes, me incomodam profundamente.

Gosto de cores — mas com equilíbrio. Gosto de tons escuros ou pastéis. O neon, o saturado, o brilho exagerado… me deixam com dor de cabeça, me tiram o foco.


Os cheiros também me afetam.

Aromas doces demais me causam náusea, dor de cabeça e até tontura. Por outro lado, cheiros cítricos, de frescor, me acalmam. É como se trouxessem ordem pro caos sensorial. Eu uso aromaterapia de forma intuitiva, e até uma pulseira difusora virou minha aliada.


E o toque?

Evito. Tolero. Mas não gosto.

Toques suaves demais me causam angústia. Toques inesperados, especialmente em multidões, me deixam desconfortável. E o pior: o suor das pessoas. Chegar perto de alguém suado me dá pavor. Até a água do chuveiro, quando bate nas minhas costas, pode causar cócegas que me fazem fugir, até o corpo acostumar.

Durante muito tempo, eu não entendia.

Não conseguia explicar o motivo do incômodo. Só sabia que queria sair de perto, fugir, me esconder.


Crises? Sim. Muitas!!!

Principalmente causadas pelos sons. E, mesmo quando eu conseguia evitar um meltdown, o shutdown sempre vinha depois — o colapso interno, o cansaço extremo, o silêncio forçado do corpo tentando se recompor.

Hoje eu tenho estratégias.

Saio de perto quando posso.

Uso abafadores de som, escuto músicas suaves (geralmente louvores), levo um fidget, busco o conforto que consigo carregar comigo.

Recentemente, ganhei do meu marido uma aliança que gira — isso me ajuda a focar, a me acalmar, a redirecionar minha atenção nos momentos difíceis.

Mas nem sempre eu estou preparada.

Às vezes, tudo que eu quero é silêncio. E isso é quase impossível dentro da rotina de casa, do dia a dia. Ainda mais sendo mulher, mãe, cuidadora, autista.



O julgamento das pessoas pesa.

  • “Você não era assim.”
  • “Agora tá frescurenta?”
  • “Depois do laudo, parece que piorou...”

Essas frases me machucam porque ainda hoje, mesmo tentando explicar, as pessoas resistem a entender. E eu, que já segurei por tanto tempo pra parecer “normal”, acabo me frustrando por ainda esperar compreensão de onde não vem.


Meu colapso veio depois de anos segurando tudo!

A agressividade, as reações explosivas, os choros sem explicação — eram pedidos de socorro. Foi só aí que busquei ajuda profissional. A neuropsicopedagoga me ouviu, acolheu e sugeriu as avaliações.

O diagnóstico veio com nome, mas também com libertação. TEA, TDAH, ansiedade, burnout e até sinais de depressão. Tudo junto, tudo acumulado, tudo explodindo.



Se eu puder te deixar um recado, é esse:

Somos todos criados à imagem e semelhança de Deus.

Mas cada um com sua história, sua sensibilidade, seus traumas e limites.

Não somos “frescos”. Somos humanos. E diferentes.


Especialmente no espectro autista, onde não existe um padrão.

Ainda que no mesmo espectro, a gente sente diferente, percebe diferente, reage diferente.

Por isso, se você quer realmente amar o próximo como a ti mesmo…

Busque informação. Escute com empatia. Respeite o diferente.





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