O Impacto do Diagnóstico na Autoimagem e nas Relações
1. Quando você recebeu o diagnóstico, o que mudou na forma como você se enxerga?
No começo, surgiram muitas questões… “Como assim? Eu? Mas eu pareço ‘normal’...”Eu mesma ainda tinha aquele esteriótipo enraizado. Depois veio a curiosidade, a vontade de entender. Onde é que eu me encaixava nisso? Como ninguém tinha percebido?
Fui uma criança negligenciada? Ninguém prestava atenção em mim? Ou será que era só trauma?
Mas aí, comecei a lembrar de algumas coisas “incomuns”: meu gosto por visuais alternativos desde sempre, aquela necessidade de ser diferente…
Na escola, a dificuldade com o aprendizado, o pavor de gente, o medo de falar em público… As crises que eu achava que eram surtos.
Tudo começou a fazer sentido, e então passei a olhar com mais carinho praquela criança que fui e que tanto cobrei por “normalidade”.
2. O diagnóstico te ajudou a ressignificar coisas do seu passado?
Totalmente.Pedi perdão pra minha criança interior.
Aquela que ouvia até da própria mãe: “Essa menina é tonta.”
Ou na escola: “Você não bate bem, né? Você é doente?”
E quando o comentário vinha “carinhoso”: “Você é tão engraçada, maluquinha…”
E eu nunca entendia por que diziam isso.
3. Teve algum rótulo que você carregava que hoje você entende que era fruto do desconhecimento?
O mais comum: preguiçosa.
Na família era sempre isso… Preguiçosa, lerda, lesada, bobinha…
Ouvi minha mãe dizendo pra outras mães que queria que eu fosse como as filhas delas: inteligentes, bonitas, que não fossem teimosas e preguiçosas.
Isso me fazia sentir errada, inadequada.
Hoje, sei que não sou nada disso. Eu sou eu — como todos — só que com um “processador diferente”. Talvez mais básico, sem muitos plugins, mas que funciona! 😂
Até na imagem: hoje olho no espelho e amo o que vejo.
4. A forma como você se trata mudou? E a forma como exige ser tratada?
Com certeza.Não aceito mais tudo, não calo mais diante de tudo.
Aprendi a dizer: “Não quero”, “Não vou”, “Não me sinto bem.”
Hoje priorizo meu bem-estar. Coloco limites — e sem peso na consciência.
5. Como o diagnóstico influenciou seus relacionamentos mais próximos?
Eles não mudaram… eu mudei.
Hoje não me forço, respeito minhas limitações e meu processamento sensorial.
Claro, surgiram dúvidas, questionamentos... aqueles “Faz isso”, “Você tem que”, “É só se esforçar mais”...
Ou o clássico: “Você viveu até aqui de boa…” 🙄
6. Você teve vontade de pedir desculpas ou cobrar compreensão de alguém?
A maioria das pessoas deveria se desculpar comigo, de certa forma.Mas não faço questão nenhuma.
Também não as culpo. Faltava informação, sim.
Mas independente de diagnóstico, toda criança — todo ser humano — tem o direito de ser tratado com dignidade e respeito. Nenhuma condição justifica julgamento.
7. O diagnóstico mudou suas expectativas sobre o futuro?
Não muito.
Ainda tenho meus medos e inseguranças.
Foram 50 anos me achando incapaz e inadequada — em 2 anos de diagnóstico, não dá pra mudar tudo.
Eu não consigo visualizar o que não existe… talvez isso também faça parte do TEA.
É difícil vislumbrar o futuro.
Só sei viver um dia de cada vez — e, mesmo assim, com muita dificuldade.
✨ Compartilhar essa história é um ato de coragem e amor próprio. Que mais pessoas possam se acolher ao se ver refletidas em suas palavras. Obrigada, Dea!


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