6/17/2025

🌻 Tema 5 – Deus Sempre Esteve Lá:

Espiritualidade e Neurodivergência

Minha caminhada com Deus não começou como uma conexão profunda. Nasci em uma família católica e segui todos os ritos: batismo, catecismo, primeira comunhão, casamento… Também batizei meus filhos. Mas a verdade é que, naquela época, era só o fluxo da tradição. A conexão real ainda não existia.

Com o tempo, visitei outros caminhos. Ainda criança, fui convidada para uma igreja evangélica. Aos 15, conheci a umbanda. Depois retomei a católica, fui ao kardecismo... mas nada se firmava. Ao me casar pela primeira vez, tentei novamente uma igreja evangélica tradicional, depois fui para uma pentecostal, onde me identifiquei mais, mas acabei me decepcionando. Era tudo muito raso, e eu também era imatura espiritualmente.

A coisa mudou mesmo quando conheci meu atual marido. Foi com ele que comecei, de fato, a buscar a Cristo — não por influência, mas por escolha, por necessidade real de sentido. Nos tornamos membros fixos de uma igreja e, apesar de seguir ainda meio imatura, o interesse pela Palavra foi crescendo. A comunhão com algumas pessoas ali me ajudava muito, especialmente nos momentos difíceis do nosso relacionamento.

Depois que me mudei para cuidar da minha mãe, ficamos um tempo procurando uma nova comunidade, até encontrar o nosso atual “porto seguro”. E foi ali, já com mais maturidade, que minha conexão com Deus floresceu de verdade. Hoje, Ele é meu refúgio e minha força. Sei que foi o amor e o cuidado dEle que me mantiveram viva nos dias mais escuros — não desisti de mim porque Ele nunca desistiu.

Antes do diagnóstico, eu era facilmente levada pela opinião alheia. Meus líderes espirituais quase viravam figuras parentais. O que me diziam era lei, e eu acatava mesmo sem entender. Lia a Bíblia, ouvia pregações... mas não encontrava sentido. Parecia tudo confuso, desencontrado.

Sim, já questionei Deus muitas vezes.

“Por que eu?” “Por que sou assim?” Mas ao mesmo tempo, o louvor e a adoração sempre foram um canal forte de conexão com Ele. A música falava por mim, falava o que eu não sabia expressar. Nas minhas crises internas, nos meus porquês, era louvando que eu me sentia compreendida por Deus.

Hoje entendo que tudo caminhou para me trazer até aqui. Se tivesse continuado no meu primeiro casamento, talvez eu estivesse perdida até hoje. Não que eu veja erro em tudo o que vivia naquela fase — eu apenas buscava uma identidade na aparência: tatuagens, estilo alternativo, bebidas… era como se, na falta de compreensão interna, eu precisasse construir algo por fora.

O diagnóstico foi um divisor de águas. Mas junto dele, vieram as falas capacitistas de sempre: “Deus vai te curar!”, “Se você quiser, Ele muda isso!” — como se ser quem eu sou fosse uma doença. Mas Deus não erra! Ele me fez diferente, com um cérebro que transborda e, às vezes, colapsa. Foi assim que Ele me chamou a entender mais, buscar respostas, me encontrar.

Vejo hoje um propósito claro nisso tudo. Sempre gostei de cuidar de pessoas. Sempre me envolvi com dores alheias. Hoje, sinto que Deus me moldou para cuidar de uma dor diferente: a dor do não pertencimento, da exclusão, da invisibilidade que tantos neurodivergentes enfrentam. Informar, apoiar, acolher — talvez esse seja o meu chamado.

Quando alguém me procura querendo aprender como lidar com uma criança ou adulto neurodivergente, meu coração se enche. Eu me sinto útil, necessária, viva.

Dois versículos me acompanham nesse processo, mesmo que eu não os saiba de cor. Um diz que a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável. O outro, que devemos ser fortes e corajosos, sem temer nem desanimar, porque Ele é nosso Deus. Eu creio neles. Mesmo quando não entendo o agora, sei que o depois vai mostrar que tudo foi o melhor pra mim. A colheita vem.

“Você não foi feito para se encaixar em padrão nenhum. O que você tem não é defeito. É diferencial.”

Deus quer usar isso em você para que outros não sofram o que você sofreu. Deixe Ele agir, confie que o Seu cuidado é constante — mesmo quando tudo parece silêncio. O Senhor vê o invisível, ouve o que o mundo ignora, e ama cada detalhe que o faz ser exatamente quem você é.




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