🌻O DIAGNÓSTICO NÃO ME MUDOU. 🌻
Eu precisava ser compreendida.”
O QUE EU ESPERAVA DO DIAGNÓSTICO?
Por muito tempo, talvez eu tenha imaginado que um diagnóstico chegaria para explicar tudo.
Como se, depois dele, alguma coisa finalmente fosse se encaixar e eu acordasse diferente: mais organizada, mais tranquila, mais adaptada, mais parecida com aquilo que esperavam de mim.
Mas não foi isso que aconteceu.
O diagnóstico não me mudou.
Não me consertou.
Não apagou minhas dificuldades.
Não transformou quem eu sou.
E, principalmente, ele não revelou que havia alguma coisa “errada” comigo.
ELE APENAS DEU NOME
O diagnóstico deu nome a coisas que já existiam.
Deu nome a experiências que, durante muito tempo, talvez eu nem soubesse explicar. A determinadas sensibilidades, dificuldades, formas de perceber o mundo, de processar as coisas, de me relacionar, de me cansar e de me reorganizar depois de situações que, para outras pessoas, pareciam simples.
De repente, algumas peças começaram a fazer sentido.
“Nomear não muda a pessoa.
Nomear muda a possibilidade de compreensão.”
O DIAGNÓSTICO NÃO É UMA SENTENÇA
Existe uma diferença enorme entre receber um diagnóstico e receber uma sentença.
O diagnóstico não deveria ser uma etiqueta que limita uma pessoa. Ele pode ser uma ferramenta de compreensão.
Uma espécie de mapa.
E um mapa não muda o lugar onde você está. Ele apenas ajuda a entender onde você está e quais caminhos podem existir a partir dali.
Uma sentença sobre quem eu sou.
Uma ferramenta para compreender minhas necessidades.
EU NÃO PRECISAVA SER CONSERTADA
Talvez essa seja uma das coisas mais importantes que aprendi nesse processo:
EU NÃO PRECISAVA SER CONSERTADA.
Eu precisava ser compreendida.
Precisava entender melhor minhas necessidades. Precisava aprender maneiras diferentes de lidar com aquilo que me fazia sofrer. Precisava encontrar profissionais que pudessem me ajudar.
Precisava, em alguns momentos, de terapia.
Em outros, de medicação.
Precisava de estratégias.
Precisava de informação.
Precisava de acolhimento.
E precisava, principalmente, parar de interpretar cada dificuldade como uma falha de caráter.
UMA PERGUNTA PODE MUDAR TUDO
Em vez de perguntar:
“O que há de errado comigo?”
talvez eu possa perguntar:
“O que eu preciso para atravessar isso com menos sofrimento?”
TRATAMENTO NÃO SIGNIFICA DEIXAR DE SER QUEM EU SOU
Também precisei compreender que buscar tratamento não significa necessariamente querer mudar minha essência.
Eu não quero deixar de ser quem sou.
Não quero apagar minha personalidade para caber melhor no mundo.
Não quero transformar minhas particularidades em defeitos que precisam ser eliminados.
Quero sofrer menos.
Quero compreender melhor o que acontece comigo.
Quero ter mais recursos para enfrentar os dias difíceis.
Quero conseguir viver o cotidiano com um pouco mais de leveza.
Quero encontrar maneiras de preservar minha energia, respeitar meus limites e cuidar de mim.
“Não porque eu queira me tornar outra pessoa. Mas porque eu mereço viver melhor sendo quem eu sou.”
EU NÃO QUERO SER “NORMAL”
Talvez eu também tenha precisado rever essa palavra.
NORMAL.
Normal para quem?
Segundo qual padrão?
Em comparação com quem?
Durante muito tempo, a ideia de normalidade pode parecer um objetivo silencioso: funcionar como todo mundo, reagir como todo mundo, suportar como todo mundo, produzir como todo mundo.
Mas talvez o objetivo não precise ser esse.
Talvez o objetivo possa ser simplesmente viver de uma maneira que seja possível para mim.
Com minhas características.
Com meus limites.
Com minhas necessidades.
Com minhas potencialidades.
E, principalmente, com menos sofrimento desnecessário.
O LAUDO NÃO CONTA TODA A MINHA HISTÓRIA
Um papel pode registrar um diagnóstico. Pode descrever características, critérios e necessidades.
Mas ele não conhece todas as minhas histórias.
Não sabe de todas as vezes em que precisei me esforçar para fazer algo que parecia simples para os outros.
Não sabe quantas vezes sorri quando estava exausta.
Não conhece todas as adaptações que fiz sem sequer perceber que eram adaptações.
O laudo é importante.
MAS ELE É APENAS UMA PARTE DA HISTÓRIA.
Eu sou a história inteira.
DAR NOME TAMBÉM PODE LIBERTAR
Durante muito tempo, não ter uma explicação pode fazer com que a pessoa procure respostas dentro de si da maneira mais cruel possível.
“Por que eu sou assim?”
“Por que isso me afeta tanto?”
“Por que eu não consigo simplesmente fazer como todo mundo?”
Quando finalmente existe uma explicação possível, algumas dessas perguntas podem mudar.
Não necessariamente para:
“Agora tudo está resolvido.”
Mas para:
“Agora eu tenho mais informação para entender o que preciso.”
O diagnóstico não me deu uma nova identidade.
Ele me deu uma nova lente para olhar para uma história que já existia.
“Não mudou quem eu sou.
Mudou a forma como comecei
a cuidar de quem eu sou.”

