3/06/2025

🌻🧩 Autismo, Neurodivergência e Saúde Mental nos Anos 80: O Que Acontecia?


Nos anos 80, o conhecimento sobre autismo e neurodivergências era extremamente limitado. Crianças com dificuldades sociais, comportamentais ou de aprendizado raramente eram diagnosticadas. Em vez disso, eram vistas como "teimosas", "preguiçosas" ou "desajustadas". O suporte era praticamente inexistente, e o bullying era uma realidade constante.

Escolas e Diagnóstico

Professores não tinham preparo para identificar neurodivergências. Crianças que hoje seriam diagnosticadas com TEA ou TDAH eram punidas, isoladas ou rotuladas como "problema de disciplina". Apenas casos extremos, com comprometimentos muito visíveis, levavam os pais a buscar ajuda médica. Mesmo assim, o diagnóstico era raro, e muitos médicos ainda viam o autismo como esquizofrenia infantil ou resultado de "falta de afeto".

Meninas e o Autismo Mascarado

O autismo em meninas passava ainda mais despercebido. Muitas eram vistas como tímidas, sensíveis ou distraídas, mas sem uma avaliação real. A pressão para se encaixar fazia com que mascarassem os sinais, gerando grande sofrimento interno. Sem apoio, cresciam sentindo-se "diferentes" sem entender o porquê.

Tratamento no Brasil

Os poucos diagnósticos que existiam vinham acompanhados de abordagens ineficazes, como internações psiquiátricas ou medicações pesadas. Terapias como fonoaudiologia e terapia ocupacional eram pouco acessíveis. A falta de conhecimento deixava muitas crianças sem qualquer suporte, apenas ouvindo que precisavam "se esforçar mais".

O Impacto Dessa Falta de Compreensão

Muitos adultos diagnosticados hoje cresceram nos anos 80 sem nenhuma explicação para suas dificuldades. O sentimento de inadequação era enorme, pois não havia espaço para que pudessem ser quem realmente eram.


Eu vivi isso. Recebi todos esses rótulos, enfrentei dificuldades na escola e sofri bullying. Lembro que, na terceira série, fiz minha primeira comunhão e amei meu vestido rosa bebê de lesie, cheio de babados e bordados. Gostei tanto que quis usá-lo na escola. Na minha cabeça, não existia uma "roupa certa para cada ocasião", eu só queria vestir algo que amava. No recreio, meninas mais velhas riram de mim. Naquele dia, aprendi que era "ridícula" de vestido. Passei anos sem usá-los.

Hoje, com mais conhecimento sobre o TEA, vejo que minha mãe também pode ter sido uma autista não diagnosticada. Ela mascarou tão bem seus traços que ninguém percebeu. Agora, com o Alzheimer, os sinais estão nítidos.

Se naquela época houvesse mais informação, minha infância e a de tantos outros teria sido diferente. Mas o que me fortalece hoje é saber que podemos mudar essa realidade para as próximas gerações. Agora podemos entender, acolher e dar espaço para que neurodivergentes sejam quem realmente são – sem medo de julgamentos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário ou opinião. Sua opinião é muito importante para mim!