Escolas e Diagnóstico
Professores não tinham preparo para identificar neurodivergências. Crianças que hoje seriam diagnosticadas com TEA ou TDAH eram punidas, isoladas ou rotuladas como "problema de disciplina". Apenas casos extremos, com comprometimentos muito visíveis, levavam os pais a buscar ajuda médica. Mesmo assim, o diagnóstico era raro, e muitos médicos ainda viam o autismo como esquizofrenia infantil ou resultado de "falta de afeto".
Meninas e o Autismo Mascarado
O autismo em meninas passava ainda mais despercebido. Muitas eram vistas como tímidas, sensíveis ou distraídas, mas sem uma avaliação real. A pressão para se encaixar fazia com que mascarassem os sinais, gerando grande sofrimento interno. Sem apoio, cresciam sentindo-se "diferentes" sem entender o porquê.
Tratamento no Brasil
Os poucos diagnósticos que existiam vinham acompanhados de abordagens ineficazes, como internações psiquiátricas ou medicações pesadas. Terapias como fonoaudiologia e terapia ocupacional eram pouco acessíveis. A falta de conhecimento deixava muitas crianças sem qualquer suporte, apenas ouvindo que precisavam "se esforçar mais".
O Impacto Dessa Falta de Compreensão
Muitos adultos diagnosticados hoje cresceram nos anos 80 sem nenhuma explicação para suas dificuldades. O sentimento de inadequação era enorme, pois não havia espaço para que pudessem ser quem realmente eram.
Hoje, com mais conhecimento sobre o TEA, vejo que minha mãe também pode ter sido uma autista não diagnosticada. Ela mascarou tão bem seus traços que ninguém percebeu. Agora, com o Alzheimer, os sinais estão nítidos.
Se naquela época houvesse mais informação, minha infância e a de tantos outros teria sido diferente. Mas o que me fortalece hoje é saber que podemos mudar essa realidade para as próximas gerações. Agora podemos entender, acolher e dar espaço para que neurodivergentes sejam quem realmente são – sem medo de julgamentos.


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