Um relato íntimo sobre ansiedade, diagnóstico tardio e o desafio de ser cuidadora da mãe com Alzheimer enquanto tenta sobreviver às próprias demandas.
Há dias em que sinto que minha cabeça vai explodir! Não de raiva, mas de tudo o que tento segurar.
Ser uma mulher autista, diagnosticada tardiamente, é como descobrir que vivi metade da vida tentando decifrar um idioma que não era o meu. Eu aprendi a observar, a imitar, a me adaptar. E, por fora, parecia funcionar. Mas por dentro, o ruído nunca parou.
Agora, adulta, com uma vida cheia de demandas e uma mãe com Alzheimer que depende de mim, o peso se tornou físico.
A ansiedade não é mais apenas uma sensação — é uma presença constante, uma vibração no peito, um nó que não se desfaz.
Cuidar de quem amo enquanto tento cuidar de mim é um paradoxo cruel.
Há dias em que o amor me move, e outros em que ele me esgota.
💭 O diagnóstico tardio
Descobrir o autismo foi como acender uma luz em um quarto que sempre esteve escuro.
De repente, tudo fazia sentido — a exaustão social, o medo de mudanças, o colapso depois de um dia “normal”.
Mas junto com a compreensão veio a culpa: quantas vezes forcei meu corpo e minha mente a se encaixarem em moldes que me feriam?
Quantas vezes me chamei de fraca por não conseguir “dar conta”?
🩶 Entre o cuidado e o colapso
Ser cuidadora da minha mãe é um ato de amor que me consome.
O Alzheimer é uma despedida lenta, e cada esquecimento dela é uma ferida nova em mim.
Eu me perco entre o papel de filha e o de enfermeira emocional.
E, às vezes, sinto que estou desaparecendo — que minha identidade se dissolve entre remédios, rotinas e o medo de falhar.
🔥 A explosão emocional
Há momentos em que tudo transborda.
O grito que não sai, o choro que vem sem aviso, o corpo que pede pausa e eu que insisto em continuar.
Mas talvez essa explosão seja também um renascimento.
Talvez o caos seja o único jeito de o meu corpo dizer: “Eu existo. Eu preciso respirar.”
🌿 Aprendendo a existir
Hoje, tento me permitir o silêncio.
Tento aceitar que não preciso ser forte o tempo todo.
Que posso ser autista, ansiosa, cuidadora e ainda assim merecer descanso.
Que posso transformar minha dor em palavras, em arte, em algo que me devolva o ar.
💬 Fecho
A sobrecarga não me define — ela me revela.
Revela o quanto lutei para existir em um mundo que não entende o que é sentir demais.
E, mesmo quando tudo parece explodir, há beleza na reconstrução.
Porque cada fragmento que cai é também uma parte de mim que aprende a se levantar.
"Entre o amor e o esgotamento, entre o silêncio e a explosão: ser mulher autista, cuidadora e ansiosa é viver em reconstrução constante. Este é meu relato."
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