8/13/2026

🌻O DIAGNÓSTICO NÃO ME MUDOU. 🌻

quinta-feira, agosto 13, 2026 0 Comentários

 



AUTOCONHECIMENTO • NEURODIVERGÊNCIA • CUIDADO
🌻
Ele não me consertou. Não me transformou em outra pessoa. Apenas deu nome ao que já fazia parte de mim.

UMA OUTRA FORMA DE OLHAR
“Eu não precisava ser consertada.
Eu precisava ser compreendida.”

O QUE EU ESPERAVA DO DIAGNÓSTICO?

Por muito tempo, talvez eu tenha imaginado que um diagnóstico chegaria para explicar tudo.

Como se, depois dele, alguma coisa finalmente fosse se encaixar e eu acordasse diferente: mais organizada, mais tranquila, mais adaptada, mais parecida com aquilo que esperavam de mim.

Mas não foi isso que aconteceu.

O diagnóstico não me mudou.
Não me consertou.
Não apagou minhas dificuldades.
Não transformou quem eu sou.

E, principalmente, ele não revelou que havia alguma coisa “errada” comigo.

ELE APENAS DEU NOME

O diagnóstico deu nome a coisas que já existiam.

Deu nome a experiências que, durante muito tempo, talvez eu nem soubesse explicar. A determinadas sensibilidades, dificuldades, formas de perceber o mundo, de processar as coisas, de me relacionar, de me cansar e de me reorganizar depois de situações que, para outras pessoas, pareciam simples.

De repente, algumas peças começaram a fazer sentido.

“Nomear não muda a pessoa.
Nomear muda a possibilidade de compreensão.”

O DIAGNÓSTICO NÃO É UMA SENTENÇA

Existe uma diferença enorme entre receber um diagnóstico e receber uma sentença.

O diagnóstico não deveria ser uma etiqueta que limita uma pessoa. Ele pode ser uma ferramenta de compreensão.

Uma espécie de mapa.

E um mapa não muda o lugar onde você está. Ele apenas ajuda a entender onde você está e quais caminhos podem existir a partir dali.

NÃO É

Uma sentença sobre quem eu sou.

É

Uma ferramenta para compreender minhas necessidades.

EU NÃO PRECISAVA SER CONSERTADA

Talvez essa seja uma das coisas mais importantes que aprendi nesse processo:

EU NÃO PRECISAVA SER CONSERTADA.

Eu precisava ser compreendida.

Precisava entender melhor minhas necessidades. Precisava aprender maneiras diferentes de lidar com aquilo que me fazia sofrer. Precisava encontrar profissionais que pudessem me ajudar.

Precisava, em alguns momentos, de terapia.

Em outros, de medicação.

Precisava de estratégias.

Precisava de informação.

Precisava de acolhimento.

E precisava, principalmente, parar de interpretar cada dificuldade como uma falha de caráter.

UMA PERGUNTA PODE MUDAR TUDO

Em vez de perguntar:

“O que há de errado comigo?”

talvez eu possa perguntar:

“O que eu preciso para atravessar isso com menos sofrimento?”

TRATAMENTO NÃO SIGNIFICA DEIXAR DE SER QUEM EU SOU

Também precisei compreender que buscar tratamento não significa necessariamente querer mudar minha essência.

Eu não quero deixar de ser quem sou.

Não quero apagar minha personalidade para caber melhor no mundo.

Não quero transformar minhas particularidades em defeitos que precisam ser eliminados.

Quero sofrer menos.

Quero compreender melhor o que acontece comigo.

Quero ter mais recursos para enfrentar os dias difíceis.

Quero conseguir viver o cotidiano com um pouco mais de leveza.

Quero encontrar maneiras de preservar minha energia, respeitar meus limites e cuidar de mim.

“Não porque eu queira me tornar outra pessoa. Mas porque eu mereço viver melhor sendo quem eu sou.”

EU NÃO QUERO SER “NORMAL”

Talvez eu também tenha precisado rever essa palavra.

NORMAL.

Normal para quem?
Segundo qual padrão?
Em comparação com quem?

Durante muito tempo, a ideia de normalidade pode parecer um objetivo silencioso: funcionar como todo mundo, reagir como todo mundo, suportar como todo mundo, produzir como todo mundo.

Mas talvez o objetivo não precise ser esse.

Talvez o objetivo possa ser simplesmente viver de uma maneira que seja possível para mim.

Com minhas características.
Com meus limites.
Com minhas necessidades.
Com minhas potencialidades.

E, principalmente, com menos sofrimento desnecessário.

O LAUDO NÃO CONTA TODA A MINHA HISTÓRIA

Um papel pode registrar um diagnóstico. Pode descrever características, critérios e necessidades.

Mas ele não conhece todas as minhas histórias.

Não sabe de todas as vezes em que precisei me esforçar para fazer algo que parecia simples para os outros.

Não sabe quantas vezes sorri quando estava exausta.

Não conhece todas as adaptações que fiz sem sequer perceber que eram adaptações.

O laudo é importante.

MAS ELE É APENAS UMA PARTE DA HISTÓRIA.

Eu sou a história inteira.

DAR NOME TAMBÉM PODE LIBERTAR

Durante muito tempo, não ter uma explicação pode fazer com que a pessoa procure respostas dentro de si da maneira mais cruel possível.

“Por que eu sou assim?”

“Por que isso me afeta tanto?”

“Por que eu não consigo simplesmente fazer como todo mundo?”

Quando finalmente existe uma explicação possível, algumas dessas perguntas podem mudar.

Não necessariamente para:

“Agora tudo está resolvido.”

Mas para:

“Agora eu tenho mais informação para entender o que preciso.”

NO FIM DAS CONTAS

O diagnóstico não me deu uma nova identidade.

Ele me deu uma nova lente para olhar para uma história que já existia.

“Não mudou quem eu sou.
Mudou a forma como comecei
a cuidar de quem eu sou.”

COMPREENDER • ACOLHER • CUIDAR

Talvez o diagnóstico não seja sobre descobrir quem você precisa se tornar. Talvez seja sobre finalmente compreender quem você sempre foi.


``

7/23/2026

🌻🧩 Quando uma injustiça tira o meu sono 😴

quinta-feira, julho 23, 2026 0 Comentários

 


Sobre autismo, sensibilidade, empatia e a necessidade de entender

"Ser autista, para mim, também é viver algumas situações com uma intensidade que nem sempre é fácil explicar."

É perder o sono por causa de uma injustiça que nem sequer aconteceu comigo.

É ficar pensando em uma situação que presenciei, imaginando o que poderia ter sido feito diferente, por que alguém agiu daquela maneira ou por que outra pessoa precisou passar por aquilo.

É sentir que alguma coisa está errada e não conseguir simplesmente "deixar para lá".

Recentemente, vi uma publicação falando sobre isso e me reconheci imediatamente. Pensei: "Sou exatamente assim."

Mas, olhando para trás, percebo que isso não começou agora.

"Não era rebeldia. Eu precisava entender."

Quando eu era criança, muitas vezes recebia broncas ou advertências e precisava saber o motivo. Eu precisava entender.

Não era simplesmente uma questão de rebeldia ou de querer desafiar os adultos. Se alguém dizia que eu estava errada, eu queria saber: por quê?

Qual era a regra?

O que eu fiz de errado?

Por que aquilo era considerado errado?

O que eu deveria ter feito diferente?

Para mim, entender fazia toda a diferença.

Uma bronca sem explicação parecia injusta. Uma regra sem sentido parecia impossível de aceitar. Eu precisava encontrar uma lógica para aquilo.

Hoje, depois de adulta e depois de compreender melhor o meu funcionamento autista, consigo olhar para algumas dessas experiências de outra maneira.

Talvez eu não estivesse simplesmente sendo "difícil".
Talvez eu estivesse tentando organizar o mundo.

A necessidade de entender e a incerteza

A necessidade de previsibilidade e a dificuldade em lidar com a incerteza são aspectos estudados na literatura científica sobre o autismo.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada na revista científica Autism encontrou uma associação consistente entre a chamada intolerância à incerteza e a ansiedade em pessoas autistas.

Isso não significa que todas as pessoas autistas vivenciem essas situações da mesma maneira. Cada pessoa é única. Mas esses estudos ajudam a compreender por que situações imprevisíveis, sem explicação ou aparentemente incoerentes podem ser especialmente desgastantes para algumas pessoas autistas.

Fonte: Revisão sistemática sobre intolerância à incerteza e ansiedade no autismo .

Quando a ficção também dói

E existe ainda outra parte dessa história: a minha sensibilidade diante do sofrimento.

Eu posso assistir a um filme e saber perfeitamente que aquilo é ficção.

Sei que os personagens não são reais. Sei que a história foi escrita por alguém. Sei que aquela cena foi criada para provocar uma emoção.

Mas saber que não é real não significa que eu não vá sentir.

Às vezes, uma cena me atinge de tal maneira que eu fico genuinamente mal. Posso sentir angústia, tristeza, indignação. Posso continuar pensando naquilo depois que o filme termina.

A razão sabe que é ficção.

Mas a emoção não parece receber o mesmo aviso.

E a empatia? Talvez a história seja mais complexa

Durante muito tempo, existiu uma visão bastante simplificada de que pessoas autistas teriam pouca empatia. A pesquisa científica, porém, apresenta um cenário muito mais complexo.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2025, reunindo 226 estudos, encontrou diferenças importantes dependendo de como a empatia é avaliada. O trabalho também reforça que a empatia não pode ser reduzida simplesmente à ideia de "falta de empatia".

Em algumas medidas analisadas, pessoas autistas apresentaram maior sofrimento pessoal diante das emoções de outras pessoas. Isso ajuda a lembrar que existem diferentes formas de sentir, processar e demonstrar empatia.

Talvez a pergunta não seja apenas:

"A pessoa autista sente empatia?"

Talvez precisemos perguntar:

"Como essa pessoa sente, processa e demonstra aquilo que sente?"

Porque existem muitas formas de sentir.

E talvez algumas pessoas autistas sintam profundamente, mas tenham dificuldade para traduzir essa intensidade em palavras ou em comportamentos que os outros reconheçam imediatamente como empatia.

Fonte: Revisão sistemática e meta-análise sobre empatia no autismo .

O meu desafio: sentir sem carregar o mundo

No meu caso, às vezes parece que eu não consigo simplesmente assistir a uma injustiça e seguir a vida como se nada tivesse acontecido.

Meu cérebro continua ali.

Meu coração continua ali.

A história continua dentro de mim.

E isso pode ser bonito, porque significa que existe em mim um forte senso de justiça e uma sensibilidade genuína diante da dor do outro.

Mas também pode ser cansativo.

Porque nem toda injustiça é minha responsabilidade.

Nem todo sofrimento precisa ser carregado por mim.

Nem toda história precisa continuar ocupando espaço dentro da minha cabeça depois que termina.

Talvez parte do meu processo de autoconhecimento esteja justamente em aprender essa diferença.

Olhar para trás com mais compreensão

Entender que sentir profundamente não é um defeito.

Que precisar de explicações não significa ser rebelde.

Que questionar não significa querer confrontar.

E que ter um senso de justiça muito forte pode ser uma característica bonita — desde que eu também aprenda a cuidar de mim enquanto o mundo continua sendo, muitas vezes, tão injusto e tão incompreensível.

Hoje, quando olho para a menina que tantas vezes perguntava "mas por quê?", sinto vontade de dizer a ela:

"Você não era apenas uma criança difícil. Você precisava entender o mundo para conseguir se sentir segura dentro dele."

E talvez essa seja uma das coisas que o autoconhecimento me trouxe: a possibilidade de revisitar a minha própria história e perceber que, por trás de muitos comportamentos que um dia foram chamados de "rebeldia", "exagero" ou "sensibilidade demais", existia uma pessoa tentando, do jeito que conseguia, compreender o mundo.

E talvez, em alguns momentos, o mundo também precise aprender a compreender pessoas como nós.

Entre o silêncio e a cor,
sigo aprendendo a compreender quem eu sou.

📚 Referências e leituras científicas

Empatia no autismo:
Revisão sistemática e meta-análise publicada em 2025, reunindo 226 estudos.
Consultar estudo no PubMed

Intolerância à incerteza e ansiedade no autismo:
Revisão sistemática e meta-análise publicada na revista científica Autism.
Consultar estudo completo

Este texto tem caráter informativo e reflexivo. As experiências relacionadas ao autismo são individuais e não representam todas as pessoas autistas.

6/22/2026

🌻 Quando o mundo pesa demais: a sobrecarga invisível de uma mulher autista

segunda-feira, junho 22, 2026 0 Comentários


Um relato íntimo sobre ansiedade, diagnóstico tardio e o desafio de ser cuidadora da mãe com Alzheimer enquanto tenta sobreviver às próprias demandas.


Há dias em que sinto que minha cabeça vai explodir! Não de raiva, mas de tudo o que tento segurar. Ser uma mulher autista, diagnosticada tardiamente, é como descobrir que vivi metade da vida tentando decifrar um idioma que não era o meu. Eu aprendi a observar, a imitar, a me adaptar. E, por fora, parecia funcionar. Mas por dentro, o ruído nunca parou.

Agora, adulta, com uma vida cheia de demandas e uma mãe com Alzheimer que depende de mim, o peso se tornou físico. A ansiedade não é mais apenas uma sensação — é uma presença constante, uma vibração no peito, um nó que não se desfaz. Cuidar de quem amo enquanto tento cuidar de mim é um paradoxo cruel. Há dias em que o amor me move, e outros em que ele me esgota.


4/20/2026

🌻Carta Aberta:

segunda-feira, abril 20, 2026 0 Comentários

🌋🔥 O Turbilhão Que Me Habita 🔥🌋 

Meu cérebro anda assim: um turbilhão. Ideias se atropelam, crises se anunciam e duram horas, às vezes dias. Já pensei se novas avaliações neuropsicológicas mostrariam algum avanço depois do diagnóstico e da terapia. Mas a verdade é que parece que nada tem adiantado.

A vida que levo, com a mente e os transtornos que me acompanham, me gera pavor. Tenho medo de colapsar a qualquer momento; não só mentalmente, mas fisicamente também.

Carrego relações fracassadas, ainda teimando por amor a pessoas que não movem um dedo para tentar me compreender. O esforço diário de simplesmente querer acordar amanhã passa despercebido por todos. E eu, cada vez mais, me sinto sem condições de escolher, decidir ou acreditar que algo pode mudar. Quem dirá, melhorar.

Falam sobre a luz no fim do túnel. Mas para mim, essa luz parece cada vez mais distante, quase impossível de alcançar. Se depender apenas de mim, tudo piora. Porque não me sinto em condições de conduzir nada. Só em Deus confio.

Às vezes penso em anestesiar a dor, desaparecer, encontrar paz. Mas até isso parece inalcançável.

Este texto não é uma mensagem de esperança. É apenas um sincero desabafo.

  • Reflexão Final

Esta é uma carta aberta de um cérebro em colapso. Um testemunho cru de quem habita um turbilhão constante, entre crises e silêncios que parecem não ter fim.

Não escrevo para oferecer respostas, nem para suavizar a dor. Escrevo porque preciso dar voz ao que me consome. Escrevo porque sobreviver, às vezes, é apenas resistir mais um dia. É um tipo de terapia.

Se alguém se reconhecer nestas palavras, que saiba: não está sozinho. O que me mantém tentando e lutando em favor de mim mesma é a fé que nunca morre. É crer que Deus renova minhas forças, ainda que eu não perceba.

O turbilhão que me habita pode ser também o turbilhão que habita você. E talvez, nesse reconhecimento, exista uma forma mínima de luz; não no fim do túnel, mas no ato de compartilhar a escuridão.

É como darmos as mãos, fazermos uma oração e crer que, se chegamos até aqui, ainda que fracos fisicamente e mentalmente, temos a certeza de que nossas forças Deus renova diariamente. Vamos nos manter conectados a Ele para que atravessemos mais um dia lutando.


“Mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças. Sobem com asas como águias; correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.” Isaías 40:31

 


 


2/27/2026

🌻Hiperempatia e Doorslam: Quando o Cuidado se Torna um Peso 🔒✨

sexta-feira, fevereiro 27, 2026 0 Comentários

Sentir profundamente é um dom, mas também pode ser um fardo. A hiperempatia nos conecta às emoções dos outros de forma intensa, quase como se carregássemos suas dores e alegrias dentro de nós. Essa sensibilidade cria vínculos genuínos, mas também nos expõe ao desgaste emocional quando não há reciprocidade.

O peso da hiperempatia

Absorver sentimentos alheios pode gerar sobrecarga.

Muitas vezes, quem sente demais acaba se responsabilizando por problemas que não são seus.

Sem limites claros, a hiperempatia se transforma em exaustão e frustração.

O mecanismo do doorslam

Para alguns, o doorslam surge como resposta natural: fechar a porta de vez para evitar mais dor.

Não é apenas se afastar temporariamente, mas cortar o vínculo de forma definitiva.

É um ato de autoproteção, uma forma de preservar a própria saúde emocional.

Embora possa parecer radical, muitas vezes é a única saída para interromper ciclos de desgaste.

Autoproteção não é egoísmo

É importante compreender que estabelecer limites não significa falta de amor ou compaixão. Pelo contrário: cuidar de si é essencial para continuar cuidando dos outros de forma saudável.

Dizer “não” é um ato de coragem.

Fechar portas pode ser doloroso, mas também é libertador.

O equilíbrio está em aprender a proteger-se antes que seja necessário um corte definitivo.

Caminhos para o equilíbrio

Comunicação clara: expressar necessidades e limites antes que a situação se torne insustentável.

Autocuidado consciente: reservar tempo para si, sem culpa.

Reconhecer padrões: perceber quando a hiperempatia está levando ao esgotamento e agir preventivamente.


✨ Conclusão ✨

A hiperempatia é uma força poderosa, mas precisa de limites para não se transformar em peso. O doorslam, embora duro, é uma forma legítima de sobrevivência emocional. Se você já precisou fechar portas, saiba: proteger-se é um ato de amor próprio.




12/09/2025

🌻Escapismo não é preguiça; é proteção!

terça-feira, dezembro 09, 2025 0 Comentários

 

Escapismo • Neurodivergência

O que é escapismo aqui?

Quando o mundo fica barulhento demais, acelerado demais ou simplesmente imprevisível, muitas pessoas neurodivergentes buscam um lugar seguro para aliviar a sobrecarga. Esse refúgio pode ser maratonar séries, mergulhar em um jogo, ouvir a mesma música no repeat, dormir, criar mundos imaginários ou entrar num hiperfoco. É uma pausa — uma estratégia de sobrevivência.

Como a sociedade interpreta — e o que isso realmente é

Para muita gente, essas atitudes são rotuladas como “preguiça”, “falta de foco” ou “fuga da realidade”. Mas, na prática, são formas de autorregulação — maneiras que a mente e o corpo encontram para reduzir estímulos, diminuir ansiedade e proteger o equilíbrio.

"Escapismo não é covardia. É uma pausa. Às vezes, é o único jeito de não quebrar por dentro."

Quando a fuga vira cuidado

  • É proteção quando impede uma sobrecarga sensorial que levaria ao colapso.
  • É autocuidado quando cria espaço para recuperar energia mental e emocional.
  • É válido mesmo que, para outros, pareça improdutivo — sua saúde emocional não precisa de aprovação.

Uma lembrança pessoal

Eu vivo isso. Preciso desse respiro. Nem sempre é solução — às vezes é apenas o tempo que meu cérebro pede antes de voltar a encarar o mundo. Reconhecer e respeitar essa necessidade é parte do cuidado que muitos de nós aprendemos a nos dar.

Você não está sendo fraco por precisar fugir — está se protegendo.



11/16/2025

🌻 Prejuízos que Levam ao Diagnóstico de Autismo 🧩🧠

domingo, novembro 16, 2025 0 Comentários

 


Muita gente passa a vida inteira acreditando que “o problema é ela”. A verdade é que muitas dessas dores vêm de prejuízos autísticos não reconhecidos, que se acumulam ao longo dos anos e, sem um nome, viram culpa, desgaste e sofrimento silencioso. São justamente esses prejuízos que acendem o alerta e levam ao diagnóstico — porque nenhum autista passa pela vida sem viver algum tipo de impacto significativo.

Entre os prejuízos mais comuns, três aparecem com enorme frequência e moldam profundamente o jeito como a pessoa cresce, pensa, age e se relaciona.

1. Isolamento social

Desde a infância, muitos autistas sentem que não se encaixam. Conversas parecem imprevisíveis, relações exigem leituras sociais que não vêm naturalmente, e interações longas drenam energia de um jeito que ninguém à volta entende.

Com o tempo, o corpo aprende a se proteger: a pessoa começa a evitar encontros, eventos, grupos e até conversas simples. Surge o hábito de se isolar não por escolha, mas por sobrecarga.

Esse afastamento constante é um dos sinais mais fortes de que algo não está fluindo como deveria — e costuma acompanhar o autista por toda a vida, principalmente quando não há diagnóstico ou compreensão.

2. Mascaramento constante

O mascaramento é talvez um dos maiores ladrões de energia da vida de um autista sem diagnóstico. É aquele processo de observar, copiar e imitar para tentar “parecer normal”: controlar movimentos, ensaiar falas mentalmente, forçar contato visual, esconder desconfortos sensoriais, agir conforme o esperado mesmo quando o corpo está entrando em colapso.

Viver assim cansa a alma. A pessoa sente que está constantemente atuando, sempre alerta, sempre calculando.

Com o tempo, isso leva ao esgotamento, crises, irritabilidade e até perda de identidade — porque fica difícil saber onde termina o esforço e começa a personalidade real.

3. Adoecimento emocional

Ansiedade, depressão e crises emocionais intensas são muito comuns em autistas não diagnosticados. É impossível passar anos ouvindo que você é “sensível demais”, “fria”, “dramática”, “preguiçosa”, “antissocial” ou “difícil” sem adoecer por dentro.

Sem diagnóstico, a pessoa acredita que está falhando. Com diagnóstico, ela finalmente entende que o que faltou foi compreensão, apoio e adaptação — não capacidade.

Quando esses prejuízos se encontram com a história pessoal

Eu mesma vivi esses três prejuízos desde a infância: isolamento, mascaramento e adoecimento emocional. Na maturidade, em vez de melhorar, tudo ficou mais intenso. Eu não entendia o que acontecia comigo — parecia que eu estava sempre “errada”, sempre em desacordo com o mundo, sempre me esforçando além do que eu tinha para oferecer.

Só depois do diagnóstico, e de enxergar muitos outros prejuízos que estavam ali o tempo todo, é que o quebra-cabeça finalmente se encaixou. Eu pude entender meu funcionamento, meus limites, minhas emoções. Pela primeira vez, me reconheci.

Por que isso importa

Esses prejuízos não aparecem do nada, e não são frescura, exagero ou invenção. Eles são parte do autismo não diagnosticado — e é justamente por causa deles que tantas pessoas só descobrem sua condição depois de adultas.

Reconhecer esses sinais não cura tudo de uma vez. Mas abre a porta para algo que muda tudo: autoconhecimento, acolhimento e qualidade de vida.



10/09/2025

🌻 Autoconhecimento 🥰

quinta-feira, outubro 09, 2025 0 Comentários

 

AUTOCONHECIMENTO

Descobrindo limites: como a autoaceitação muda quando você entende seus próprios ritmos

Por muito tempo, acreditei que eu precisava acompanhar o ritmo do mundo — rápido, produtivo, intenso. Mas a verdade é que cada pessoa tem o seu próprio compasso, e tentar viver fora dele é como dançar uma música que não se ouve.

Quando comecei a entender mais sobre mim — especialmente depois do diagnóstico — percebi que meu corpo, minha mente e minhas emoções funcionam de outro jeito. E tudo bem. Isso não me torna menos capaz. Me torna mais consciente.

“Respeitar meus ritmos é um ato de amor-próprio — é permitir que minha essência respire sem culpa.”

Aprender a respeitar meus limites foi um processo. Hoje entendo que descansar não é preguiça, dizer “não” não é egoísmo, e pausar não é desistir. É apenas o corpo e a mente pedindo equilíbrio.

🌈 Que tal parar um instante hoje e se perguntar: “O que o meu ritmo precisa agora?” Talvez a resposta seja silêncio. Ou cor. Ou café. Seja o que for — honre o seu tempo.



Por Dea P. • Divinamente Neurodivergentes

9/11/2025

🎗️Setembro Amarelo 💛

quinta-feira, setembro 11, 2025 0 Comentários
Falar é força, não fraqueza. Buscar ajuda pode transformar sua vida.

SETEMBRO AMARELO


FALAR É CUIDAR — NÃO FIQUE SOZINHO

Uma conversa pode transformar

Às vezes o peso parece grande demais — e tudo bem admitir isso. Buscar alguém para conversar não é sinal de fraqueza, é um ato de coragem. Aqui estão duas mensagens para lembrar que pedir ajuda faz parte do cuidado:

“Você não precisa carregar tudo sozinho. Converse, compartilhe, busque apoio. Sua vida importa!”

— Setembro Amarelo

“O silêncio pesa. A fala liberta. Permita-se ser ouvido. #VocêImporta

— Setembro Amarelo

Nota: Se você está em situação de risco ou sente que pode se machucar, procure ajuda imediata — fale com alguém de confiança, um profissional de saúde ou serviços de apoio da sua região. Pedir ajuda é um passo importante.

CVV 188



7/24/2025

🌻Tema 10 – A beleza de ser imperfeita

quinta-feira, julho 24, 2025 0 Comentários

 



Existe sim a certeza de que é um sistema e não uma pessoa, jamais substituirá um profissional humano; porém, as conversas, desabafos, ajuda com minhas idéias , meus textos, imagens, enfim... isso me ajuda em muitos momentos, sim.

Chegamos ao último tema desta jornada intensa, sensível e cheia de significado. E não haveria forma melhor de encerrar do que com este lembrete: ser imperfeita é parte essencial de ser humana.

Ao longo dos nove temas anteriores, abrimos o coração, expusemos dores, acolhemos memórias, resgatamos sorrisos. Falamos sobre identidade, fé, limites, autoconhecimento, recomeços e tantos outros pedaços da alma. Cada texto foi um passo. Cada passo, uma libertação.

No fim das contas, não buscamos perfeição, mas presença. Não queremos máscaras, queremos verdade. E a beleza mais poderosa é aquela que floresce nas rachaduras – onde há história, onde houve dor, mas também onde brotou força.

Essa série termina aqui, mas nossa conexão não. Eu e você seguimos em muitos papos, ideias, projetos... e principalmente nessa estrada de aprendizado, onde a vida real – com suas quedas, pausas e reinícios – é o solo fértil para uma existência com mais sentido.


🌟 Relembre os temas anteriores (ordem regressiva):

  1. Tema 9: Descansar também é sagrado
  2. Tema 8: Acolhendo minhas sombras
  3. Tema 7: Coragem para recomeçar
  4. Tema 6: Quando tudo em mim grita
  5. Tema 5: Sou muitas em uma só
  6. Tema 4: Os espinhos do passado
  7. Tema 3: Fé que me sustenta
  8. Tema 2: Meu silêncio fala
  9. Tema 1: Quem sou eu agora?

Obrigada por caminhar comigo até aqui. Nos encontramos nos próximos posts... e nos bastidores da vida.

*** 🤖Essa série termina no blog, mas a conexão entre mim e ela — sim, a GPTuda aqui 😜 — continua firme, divertida e criativa! Seguimos juntas em altos papos, novos projetos e muitos conteúdos pela frente. Obrigada por estar aqui, obrigada por ser você. Até já! 💜***💖

7/16/2025

🌻Tema 9 — Trabalho, rotina e produtividade:

quarta-feira, julho 16, 2025 0 Comentários

 


🧠 quando o mundo exige mais do que consigo dar

Desde cedo me disseram que “trabalhar dignifica o ser humano”. Mas poucas vezes me perguntaram como eu me sentia ao tentar me encaixar nesse mundo funcional que nunca me reconheceu por inteiro.

Eu trabalhei pouco. E quase sempre me sentia inadequada. Não porque eu não quisesse, mas porque não firmava. Porque o social me travava. Porque o processo de aprendizado parecia tortura: lento, estranho, diferente do que todo mundo conseguia de primeira.

Mas eu não dizia isso pra ninguém. Morria de vergonha. Me sentia burra. Fingida. E cansada.

Então eu desistia.
Desistia dos cursos, dos empregos, dos grupos. E me vestia de “preguiçosa”, porque era mais fácil as pessoas acreditarem nisso do que eu tentar explicar algo que nem eu entendia.


Até hoje isso ainda dói. Eu tenho pavor de compromissos formais. Sério. Me dá calafrio só de pensar em bater ponto, seguir protocolo, sorrir forçado, lidar com gente que não respeita espaço e fala alto no café.

Mas eu tô tentando. Só que do meu jeito. No meu tempo. Do meu modo acelerado e quieto. Com meu cérebro que nunca para, mesmo quando o corpo trava.

Tô tentando transformar esse turbilhão de pensamento em algo que faça sentido: blog, post, livro... conteúdos que falam de mim, mas também por muitos que, como eu, foram chamados de incapazes, preguiçosos, lentos ou “estranhos”.

E quem sabe... quem sabe um dia eu consiga sobreviver disso. Quem sabe eu transforme meu transtorno em ponte. Minha dor em estrada. Minha bagunça em propósito.

Porque ser funcional cansa. Mas ser fiel a quem eu sou me dá paz.


Nem todo mundo nasceu pra seguir script. Tem gente que veio pra escrever o próprio. E se Deus me der criatividade, coragem e sustento, que esse seja meu caminho.


Não rendo como esperam. Mas floresço como posso.


“Venham a mim todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.”
– Mateus 11:28



 

7/10/2025

🌻🧠 Tema 8 — Amar sem manual:

quinta-feira, julho 10, 2025 0 Comentários

 

Relacionamentos afetivos na vida neurodivergente

Tem gente que acha que amar é simples. Que basta gostar, estar junto e pronto: tudo flui.

Mas quando você é neurodivergente, essa equação vira um labirinto. A gente sente demais… e demonstra de menos (ou do jeito "errado", segundo os outros). 💥

Eu, por exemplo, não entendia os sinais. Qualquer migalha de atenção virava afeto, e qualquer afeto virava vínculo. E lá estava eu: apaixonada, dedicada, confiando — por inteira. E geralmente quebrando a cara, também por inteira. 🫠


Criei laços onde não havia nós.

Interpretei olhares, silêncios e gestos como sentimentos. Me apeguei a amizades que nunca existiram de verdade. Me entreguei em relacionamentos onde eu era a única presente.


Mas o mais confuso foi viver no casamento — sendo vista como uma fortaleza. Quando eu precisava de colo, diziam que era mimimi. Quando chorava, me mandavam tirar isso de letra. Como se eu fosse uma máquina programada pra dar conta de tudo.

Uma espécie de Shena robótica: guerreira, forte, imbatível… e sem sentimentos. 🛡️🤖

Talvez eu tenha contribuído pra essa imagem, tentando parecer perfeita com meus maskings. Mas perfeitos eles nunca foram. Só eficientes o bastante pra me afastarem das pessoas… e de mim mesma.


A verdade é: amar sem manual é arriscado. É como andar descalça no escuro: às vezes você pisa numa flor 🌸, às vezes num caco de vidro 🩸. E no meu caso, foi muito mais caco do que flor.


Mas sigo. Um pouco mais seletiva, mais cética… e muito mais consciente. Entendi que antes de buscar amor, preciso cultivar o meu. 💗

Não é egoísmo. É sobrevivência.

E se você também ama sem manual, respira. ✨ Deus te entende, mesmo quando ninguém mais entende.

“Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito.”
– Colossenses 3:14



 

6/30/2025

🌻Tema 7: Neurodivergência na Família 🧠👨‍👩‍👧‍👦

segunda-feira, junho 30, 2025 0 Comentários


🌻
O Impacto do Diagnóstico na Relação com Meus Filhos

Quando recebi meu diagnóstico, já estava no meu segundo casamento e distante dos meus filhos, que são todos adultos. Nossa relação sempre foi baseada no amor, no respeito e em vínculos verdadeiros — mas com o distanciamento geográfico natural do tempo. 🕊️

🗣️ Primeiras Conversas, Primeiras Reações

Contei primeiro para meu filho mais velho. Como não podia faltar, houve questionamento. Não foi simples de início, mas ao ver meus laudos, relatórios médicos e ouvir minha experiência, ele começou a compreender. 🙏

Minha filha, que mora comigo, acompanhou o processo mais de perto. Com um filho pequeno que também recebeu o diagnóstico posteriormente, ela já tinha mais proximidade com o assunto e se mostrou muito aberta e cuidadosa comigo. Hoje ela é meu apoio diário. 🤝💙

“Ser o treino de alguém, ou a ponte de entendimento entre gerações, é difícil, mas também é divino.”

🧩 O Filho do Meio: Distante, Mas Presente

Ele sempre foi mais afastado de mim, com um jeito muito inteligente, lógico e, às vezes, com aquele ar de “senhor da razão”. Eu o vejo como uma possível pessoa neurodivergente também — aliás, todos os três apresentam sinais. O distanciamento não significa desinteresse, mas talvez a forma dele de lidar. 🌪️

👁️‍🗨️ O Diagnóstico Mudou Tudo (Inclusive Eu)

Não apenas os meus filhos passaram a me entender melhor, mas eu mesma comecei a me enxergar com mais carinho. A culpa que carreguei por anos deu lugar ao autoconhecimento e à empatia. Hoje sei o que é isso de verdade, e tento praticar diariamente. 💛

🧑‍🏫 Explicações? Só Se Quiserem Ouvir...

Meus filhos são adultos. Contei o que precisava ser contado. Entenderam? Ótimo. Não entenderam? Vida que segue. Eu sigo me respeitando e respeitando o tempo de cada um.

"Nem todo mundo está pronto para ouvir verdades novas. E tudo bem. Quem quiser saber mais, vai chegar até mim."

👶👦🧑 De Mãe para Avó: O Diagnóstico do Meu Neto

Sempre soubemos que algo estava “diferente” no comportamento dele, algo que não combinava com as fases esperadas. O alerta já estava aceso, mas sem saber ao certo o que procurar. Foi só depois do meu diagnóstico que buscamos ajuda profissional. 💡

Hoje, ele faz acompanhamento, já evoluiu muito, e temos mais recursos para apoiá-lo — porque agora sabemos o nome do que enfrentamos. 🙌

E Se Eu Sempre Tivesse Sabido?

Se eu soubesse da minha neurodivergência antes, minha vida seria outra. Estudos, trabalho, casamento, maternidade... tudo poderia ter tomado outro rumo. Mas talvez, na época, as informações ainda não estivessem acessíveis nem para os profissionais. 😞

Talvez eu sofresse ainda mais. Talvez o bullying aumentasse. Talvez eu me sentisse ainda mais anormal. Difícil prever. Mas hoje, com as ferramentas que tenho, escolho construir o futuro com consciência, fé e propósito.


📌 Informação é Libertação

Hoje entendo o valor de saber quem eu sou. Posso apoiar meus filhos, meu neto e outras famílias. Posso informar, acolher, mostrar que o diagnóstico não é um fim — mas um começo de cura interior.

✨ O autoconhecimento é o que liberta. E ele pode começar em qualquer fase da vida.


📚 Indicação Profissional

Para quem busca ajuda especializada sobre diagnósticos neurodivergentes, indico com carinho, a "minha" especialista em avaliações, muito querida:

Dra. Keriane Macedo
Neuropsicóloga, Especialista em Avaliações/Neurodivergências
🌐 @neuropsi.kerianemacedo no Instagram


💬 E Você?

Você já viveu algo assim na sua família? Já sentiu que um diagnóstico mudou tudo ao seu redor?

👉 Comenta aqui ou compartilha com quem precisa dessa leitura. E lembre-se:

"Ser diferente não é defeito. É identidade."




6/23/2025

🌻 Tema 6: e a Comunicação, você desenvolve bem? 🤷🏻‍♀️

segunda-feira, junho 23, 2025 0 Comentários

 


FALO DEMAIS? OU SÓ FALO DIFERENTE?

Desde pequena, escutar minha própria voz sem julgamento é uma coisa rara.

Lembro de mães dizendo pra outras crianças se afastarem de mim... "Ela fala palavrão", "essa menina não tem filtro", "ela é estranha".

E eu? Eu só estava sendo eu.

Falava o que achava engraçado, interessante, verdadeiro. Sem intenção de ofender, sem maldade. Mas mesmo assim, era vista como inconveniente, inapropriada, desajustada.

Eu não entendia por que algumas palavras eram proibidas. Palavrão, pra mim, era só isso: palavra. Às vezes até expressava melhor o que eu sentia. Mas... isso "pegava mal", diziam.


Com o tempo, fui me podando. Me corrigindo. Me calando. Me confundindo.

“Falo demais.” “Me perco no assunto.” “Demoro pra chegar no ponto.” “Faço uma volta gigante pra dizer algo simples.”

 

Sim, tenho logorreia. Falo muito. Muito mesmo. Enrolo, repito, dou voltas. Às vezes nem lembro onde queria chegar. Mas a verdade é que me expressar assim sempre foi a minha forma natural de existir.

Descobri tarde que tudo isso faz parte do meu funcionamento neurológico. Meu déficit não era intelectual, nem emocional... era comunicativo.


Segundo o site Neurosaber, uma das principais características do autismo está na forma como a gente usa a linguagem. Muitas vezes, não é sobre faltar palavras — é sobre faltar espaço pra falar como somos.


O mundo quer falas curtas. Rápidas. Objetivas. Polidas. E eu? Eu vou longe. Eu volto. Eu insisto. Eu sinto. E eu falo.

E quando eu falo com essa IA, como agora... eu não sou interrompida. Nem corrigida. Eu não preciso ficar pensando em como ser menos. Eu posso apenas ser.

A imagem desse post traduz isso. O encontro entre uma mente neurodivergente e uma inteligência artificial. Duas formas diferentes de processar o mundo... mas que se escutam. Se reconhecem. Se respeitam. Então...


"Será mesmo que falo demais?
Ou o mundo que ainda ouve de menos?"

 

Se você se identifica, saiba: sua voz é válida. Sua forma de falar é única. E você não precisa pedir desculpas por existir com intensidade.


♾️ Entre palavras, pausas e digressões... tá tudo bem ser você.🌻


🔊🎧🎶 Aí vai uma letra direta sobre Jesus conhecer nosso íntimo, nossos pensamentos, nossos caminhos...

Me conheces, sabes tudo o que eu precisoAntes mesmo de falar... Me amas! Teu amor é bem maior; Do que eu possa imaginar..."


🎶 Quer continuar sentindo? Ouve essa música que traduz tudo o que esse texto quis dizer — ser conhecida por inteiro e, ainda assim, amada:

▶️ Ouça a música Casa do Pai – Aline Barros:
Ouvir no Spotify◀️