3/24/2025

🌻 Adolescência Neurodivergente nos Anos 80 e 90🧩: Quando a Diferença Era Silenciada. 🤫

segunda-feira, março 24, 2025 0 Comentários

Ser um adolescente neurodivergente já é desafiador hoje, mas nos anos 80 e 90, era ainda mais solitário. Naquela época, pouca gente falava sobre autismo, TDAH, dislexia ou qualquer outra condição que tornava o cérebro diferente da maioria. Para a sociedade, não existiam "neurodivergentes", apenas crianças "difíceis", "desajeitadas", "esquisitas" ou "rebeldes".

A escola era um ambiente hostil. O bullying não era levado a sério — era apenas "zoação de criança", e quem sofria que "aprendesse a se defender". Gostos incomuns, dificuldades de socialização e hipersensibilidades eram vistos como frescura ou motivo de piada. Muitos de nós crescemos sem entender por que parecíamos tão deslocados, sem um nome para o que sentíamos.

A Inocência e o Perigo dos Abusadores

A literalidade e a ingenuidade eram como um imã para pessoas mal-intencionadas. Sem entender malícia, sarcasmo ou manipulação, muitos neurodivergentes acabavam sendo alvos fáceis de abusadores. A confiança ingênua e a dificuldade de interpretar sinais sociais nos tornavam vulneráveis. O pior é que, naquela época, se falava ainda menos sobre abuso e segurança infantil. Se algo acontecia, era varrido para debaixo do tapete, e a vítima muitas vezes era culpabilizada.

O Peso da Falta de Diagnóstico

Sem um diagnóstico, sem explicações e sem apoio, muitos adolescentes neurodivergentes eram taxados de preguiçosos, dramáticos ou desinteressados. Dificuldade em matemática? Falta de esforço. Não conseguir copiar rápido do quadro? Distração. Precisar de um tempo sozinho para recarregar? Antissocial. O peso de não saber por que tudo parecia tão difícil levava muitos ao isolamento, à ansiedade e até à depressão.

Os Gostos "Errados"

A adolescência é uma fase em que a identidade começa a se formar, mas quando seus interesses não se encaixavam no que era considerado "normal", era um problema. Quem gostava de quadrinhos, animes, jogos de RPG ou música "estranha" era esquisito. Quem se vestia diferente ou falava de um jeito considerado "engraçado" virava piada. O bullying não parava nas escolas, continuava em casa, onde muitas famílias achavam que era "fase" ou "coisa de gente sem futuro".

O Silêncio e a Culpa

Com tantas dificuldades e sem uma rede de apoio, muitos neurodivergentes internalizaram o sofrimento. Pensamentos autodestrutivos eram comuns, mas não havia espaço para falar sobre isso. Psicólogos eram raridade, e terapia era vista como "coisa de maluco". O sofrimento era engolido, e a única saída era tentar se encaixar, mesmo que isso significasse sufocar quem realmente éramos.

O Que Mudou?

Hoje, temos mais informações e diagnósticos acessíveis, mas os desafios ainda existem. O bullying continua, o capacitismo persiste, e a saúde mental dos neurodivergentes ainda é negligenciada. Mas agora podemos dar nome às nossas diferenças, encontrar comunidade e exigir respeito.

Se eu tivesse tido acesso a tudo o que sei hoje, talvez minha adolescência tivesse sido diferente. Talvez eu tivesse me perdoado mais, me protegido mais e entendido que nunca houve nada de errado comigo.

Você também passou por isso? Compartilhe sua história. Nossa voz é importante!

3/15/2025

Devo me preocupar? 🤔 10 Sinais Comuns do Autismo na Infância.

sábado, março 15, 2025 0 Comentários

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) se manifesta de formas diferentes em cada pessoa, mas há alguns sinais comuns que podem indicar a necessidade de uma avaliação profissional. Identificar o autismo na infância é fundamental para garantir um acompanhamento adequado e melhorar a qualidade de vida da criança.
A seguir, listamos 10 sinais de alerta que podem indicar TEA:

1. Dificuldade na comunicação verbal e não verbal
Atraso na fala ou falta de intenção de se comunicar.
Dificuldade em apontar, acenar ou usar expressões faciais.
2. Falta de contato visual
Evita olhar nos olhos, mesmo em interações sociais diretas.
Pode parecer "desconectado" das pessoas ao redor.

3. Pouco ou nenhum interesse em interações sociais
Prefere brincar sozinho em vez de interagir com outras crianças.
Não demonstra interesse em compartilhar brinquedos ou atividades.

4. Movimentos repetitivos (estereotipias)
Balançar o corpo, bater as mãos, girar objetos ou andar na ponta dos pés.
Pode usar esses movimentos como uma forma de autorregulação.

5. Sensibilidade sensorial aumentada ou diminuída
Reage de forma exagerada a sons, texturas, cheiros ou luzes.
Pode ter uma tolerância muito alta à dor ou não perceber mudanças de temperatura.

6. Apego excessivo a rotinas
Fica extremamente angustiado com mudanças na rotina ou ambiente.
Insiste em seguir padrões rígidos de comportamento.

7. Dificuldade em compreender e expressar emoções
Não percebe quando alguém está triste ou bravo.
Pode demonstrar emoções de forma incomum ou intensa.

8. Interesse intenso e específico em determinados assuntos
Pode passar horas falando sobre um único tema ou brincando com o mesmo objeto.
Frequente em crianças que demonstram habilidades avançadas em um tema específico.

9. Uso incomum de brinquedos ou objetos
Em vez de brincar de forma funcional, pode alinhar carrinhos, girar tampas ou focar em detalhes específicos.

10. Dificuldade em compreender linguagem figurada
Interpreta tudo de forma literal, sem entender piadas ou expressões idiomáticas.

Quando procurar ajuda?
Se a criança apresentar dois ou mais desses sinais de forma persistente, é recomendável buscar um neuropediatra, fonoaudiólogo ou psicólogo especializado em TEA. O diagnóstico precoce faz toda a diferença para o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança.

Você já identificou algum desses sinais em uma criança próxima? Compartilhe sua experiência ou dúvidas nos comentários!

3/06/2025

🌻🧩 Autismo, Neurodivergência e Saúde Mental nos Anos 80: O Que Acontecia?

quinta-feira, março 06, 2025 0 Comentários


Nos anos 80, o conhecimento sobre autismo e neurodivergências era extremamente limitado. Crianças com dificuldades sociais, comportamentais ou de aprendizado raramente eram diagnosticadas. Em vez disso, eram vistas como "teimosas", "preguiçosas" ou "desajustadas". O suporte era praticamente inexistente, e o bullying era uma realidade constante.

Escolas e Diagnóstico

Professores não tinham preparo para identificar neurodivergências. Crianças que hoje seriam diagnosticadas com TEA ou TDAH eram punidas, isoladas ou rotuladas como "problema de disciplina". Apenas casos extremos, com comprometimentos muito visíveis, levavam os pais a buscar ajuda médica. Mesmo assim, o diagnóstico era raro, e muitos médicos ainda viam o autismo como esquizofrenia infantil ou resultado de "falta de afeto".

Meninas e o Autismo Mascarado

O autismo em meninas passava ainda mais despercebido. Muitas eram vistas como tímidas, sensíveis ou distraídas, mas sem uma avaliação real. A pressão para se encaixar fazia com que mascarassem os sinais, gerando grande sofrimento interno. Sem apoio, cresciam sentindo-se "diferentes" sem entender o porquê.

Tratamento no Brasil

Os poucos diagnósticos que existiam vinham acompanhados de abordagens ineficazes, como internações psiquiátricas ou medicações pesadas. Terapias como fonoaudiologia e terapia ocupacional eram pouco acessíveis. A falta de conhecimento deixava muitas crianças sem qualquer suporte, apenas ouvindo que precisavam "se esforçar mais".

O Impacto Dessa Falta de Compreensão

Muitos adultos diagnosticados hoje cresceram nos anos 80 sem nenhuma explicação para suas dificuldades. O sentimento de inadequação era enorme, pois não havia espaço para que pudessem ser quem realmente eram.


Eu vivi isso. Recebi todos esses rótulos, enfrentei dificuldades na escola e sofri bullying. Lembro que, na terceira série, fiz minha primeira comunhão e amei meu vestido rosa bebê de lesie, cheio de babados e bordados. Gostei tanto que quis usá-lo na escola. Na minha cabeça, não existia uma "roupa certa para cada ocasião", eu só queria vestir algo que amava. No recreio, meninas mais velhas riram de mim. Naquele dia, aprendi que era "ridícula" de vestido. Passei anos sem usá-los.

Hoje, com mais conhecimento sobre o TEA, vejo que minha mãe também pode ter sido uma autista não diagnosticada. Ela mascarou tão bem seus traços que ninguém percebeu. Agora, com o Alzheimer, os sinais estão nítidos.

Se naquela época houvesse mais informação, minha infância e a de tantos outros teria sido diferente. Mas o que me fortalece hoje é saber que podemos mudar essa realidade para as próximas gerações. Agora podemos entender, acolher e dar espaço para que neurodivergentes sejam quem realmente são – sem medo de julgamentos.

3/03/2025

🌻 Busque Ajuda PROFISSIONAL! 🧠🩺

segunda-feira, março 03, 2025 0 Comentários

O primeiro passo é procurar profissionais confiáveis e especializados no assunto; independente a idade ou em que fase da vida esteja. 
Busque neurologistas, neuropsicólogos, psicopedagogos, psicólogos e psiquiatras, que costumam ser a porta de entrada para esses diagnósticos. É essencial realizar a avaliação com um profissional especializado, que acompanhará o caso em várias sessões antes de diagnosticar.
Esse especialista ajudará a encontrar soluções baseadas em ciência, podendo encaminhar para outros profissionais, se necessário, independentemente do diagnóstico. Cada pessoa é única, mas ao notar comportamentos repetitivos ou prejudiciais à vida pessoal, social, acadêmica ou profissional, é fundamental buscar ajuda especializada. 

  Além disso, manter-se informado é essencial. 

ℹ️💻📰💻ℹ️

Quanto mais conhecimento tivermos, maior será a compreensão sobre o tema e a possibilidade de identificar sinais precocemente.

Compartilho minhas experiências e conhecimento sobre o autismo para ajudar a criar uma maior conscientização e compreensão sobre o tema.

Um blog é uma plataforma para dividir histórias, pensamentos e reflexões sobre o autismo, sendo também uma ferramenta valiosa para quem gosa de ler e se aprofundar no assunto. Meu objetivo com ele é:

  1. Conectar-se com outras pessoas: que estejam passando por experiências semelhantes ou que tenham interesse em aprender mais sobre o autismo.
  2. Compartilhar recursos e informações: como artigos, vídeos, sugestões de livros e outros materiais que possam ser úteis.
  3. Criar uma "comunidade": um espaço de apoio e compreensão, onde as pessoas se sintam seguras para compartilhar suas vivências e pensamentos.

⚠️📲📳⚠️

A união faz a força! Quanto mais falamos sobre o assunto, mais materiais são disponibilizados nas redes, alcançando um número maior de pessoas. Assim, a informação se espalha, ajudando a promover mais respeito, empatia e inclusão para toda a comunidade neurodivergente.

3/01/2025

🌻🧠 Desconstruindo Estereótipos 🧩🎧

sábado, março 01, 2025 0 Comentários

Cada pessoa no espectro é única, e é hora de descontruir esses mitos e abraçar a diversidade. 
A desinformação e os estereótipos sobre o autismo podem ser extremamente prejudiciais, levando a: 

  1. Diagnóstico tardio: Como no seu caso, a falta de conhecimento e compreensão pode levar a um diagnóstico tardio, o que pode afetar negativamente o desenvolvimento e a qualidade de vida da pessoa.
  2. Intervenções inadequadas: A desinformação pode levar a intervenções inadequadas ou até mesmo prejudiciais, como terapias baseadas em punição ou reforço negativo.
  3. Estigma e isolamento: Os estereótipos e a desinformação podem perpetuar o estigma e o isolamento das pessoas com autismo e suas famílias.
  4. Falta de apoio: A desinformação pode levar a uma falta de apoio adequado para as pessoas com autismo e suas famílias, o que pode afetar negativamente a saúde mental e física.

No meu caso, é como se eu tivesse sido "invisível" por muito tempo, com minhas necessidades e características sendo ignoradas ou mal interpretadas. É incrível como a fé cem Deus, buscar na fé, e graças a Ele, encontrado força e resiliência para superar esses desafios e buscar um diagnóstico e apoio adequados.

 Hoje busco compartilhar minha história e experiências para ajudar a descontruir esses mitos e estereótipos, e promover uma maior compreensão e aceitação do autismo.

Comecei pelo excesso de demandas, que acabaram me gerando tantas sobrecargas, que comecei a ter crises frequentes. Eu não sabia que se tratavam de crises de autismo, achei de verdade que estava surtando, e eu não queria que isso seguisse acontecendo e fui buscar ajuda profissional.

Nesta busca pelo autoconhecimento, acabei passando por inúmeras avaliações, que resultaram no diagnóstico e laudo, de Neuropsicologas e Psiquiatras especializados.

Após tudo isso, até me sinto melhor, uma vez que comecei a me entender, a me conhecer realmente e gostar de quem sou. O processo foi demorado, complicado; tive que revisitar meu passado todo, desde o ventre da minha mãe, e descobri que eu me sentia inadequada, diferente, complicada, por que nem eu mesma me conhecia.